LEI Nº 2.889 - DE 1 DE OUTUBRO DE 1956 – DOU DE 02/10/56  - Lei do Genocídio

Define e pune o crime de genocídio

    O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

    Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal:

    a) matar membros do grupo;

    b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo;

    c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial;

    d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo;

    e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo;

    Será punido:

    com as penas do art. 121, § 2º, do Código Penal, no caso da letra a;

    com as penas do art. 129, § 2º, no caso da letra b;

    com as penas do art. 270, no caso da letra c;

    com as penas do art. 125, no caso da letra d;

    com as penas do art. 148, no caso da letra e.

    Art. 2º Associarem-se mais de 3 (três) pessoas para prática dos crimes mencionados no artigo anterior:

    Pena: Metade da cominada aos crimes ali previstos.

    Art. 3º Incitar, direta e pùblicamente alguém a cometer qualquer dos crimes de que trata o art. 1º:

    Pena: Metade das penas ali cominadas.

    § 1º A pena pelo crime de incitação será a mesma de crime incitado, se êste se consumar.

    § 2º A pena será aumentada de 1/3 (um terço), quando a incitação fôr cometida pela imprensa.

    Art. 4º A pena será agravada de 1/3 (um terço), no caso dos arts. 1º, 2º e 3º, quando cometido o crime por governante ou funcionário público.

    Art. 5º Será punida com 2/3 (dois terços) das respectivas penas a tentativa dos crimes definidos nesta lei.

    Art. 6º Os crimes de que trata esta lei não serão considerados crimes políticos para efeitos de extradição.

    Art. 7º Revogam-se as disposições em contrário.

    Rio de Janeiro, em 1 de outubro de 1956; 135º da Independência e 68º da República.

    JUSCELINO KUBITSCHEK

    Nereu Ramos